O texto.

Lá pelas tantas da manhã, sem sono, sem coragem, sem imaginação ou criatividade. A tela branca que teima em aparecer na sua frente, começa a irritar. Ficando ali sentando, tentando encontrar uma maneira, uma forma de descobrir o que escrever, o que dizer. “Para quem? Por quê?”, a resposta seria fácil se a pergunta também fosse. Indagando a si mesmo sobre o real proposito de estar ali a horas tentando filtrar ideias e diluí-las no computador.

Tentou escrever sobre as notícias mais recentes, mas imaginou que outros o fariam, e que se não o fariam os jornalistas especializados nisso já estariam fazendo. Tentou escrever sobre o seu dia tedioso, mas resumiu que de tédio o mundo já está cheio. Mais uma história triste não iria comover ninguém. Tentou escrever sobre alguma história vivida que não havia contado a alguém para mostrar a veracidade dos fatos, mas como não havia contado a ninguém, dificilmente iriam acreditar em tal realidade.

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Enfim, cansado de tanto pensar e apagar textos incompletos, após a quinta xícara de café que a essas alturas já se encontrará morna e deixando o café comum gosto amargo e forte na boca. Nessas alturas o sono começou a vir, morfeu costuma fazer visitas inesperadas nos momentos em que menos se espera. Deixou o teclado de lado, e foi “percorrer” os canais da tv a cabo. Infinitos canais que fica quase impossível se decidir. O que assistir a essa hora? A não ser pelos desenhos animados sem pé nem cabeça e pelas séries de vida animal, nada de diferente, nada de “novo”.

Aquela sensação de incapacidade, de frustração começa a tomar conta, pela percepção de nada ter feito, de nada ter realizado em tanto tempo. Nessa altura a cama parece bem mais atrativa do que a cadeira dura e gélida que tenta voltar. Deve ser isso o que sentem escritores com “crises de criatividade”, realmente é algo angustiante. E nessa angustia, um momento de clareza e objetividade aparece. Como um clarão no céu sombrio e escuro de uma noite chuvosa. Sua mente se “ascende” se mostrando forte e límpida como esse clarão, suficientemente claro para fazer transcrever alguns parágrafos, e resumir um pouco dessa madrugada angustiante que foi redigir um pequeno texto, simples e singelo.

É Proibido

 

A informação é um pouco velha, mais o tema merece ser lembrado.

Quem nunca viu aquelas placas, cartazes ou folhetos em estabelecimentos comerciais, como: “proibido uso de celulares moveis”, “proibido a entrada de cães” ou a mais famosa “proibido fumar”. Mas recentemente, (ou não tão recente assim), uma dessas placas me chamou a atenção com a seguinte frase:

“Proibido o uso de aparelhos sonoros sem fone de ouvido”.

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Estava eu em um ônibus de transporte coletivo a caminho do trabalho e me deparei com essa placa. Fiquei curioso a ao mesmo tempo surpreso ao ver uma placa dessas em um ônibus. Depois de uma pesquisa, descobri que aqui em Campinas, (cidade onde moro) essa regulamentação vem da Lei nº 14.350, de 27 de Julho de 2012 (Disciplina o uso de aparelhos sonoros no interior de ônibus de transporte coletivo urbano no município e dá outras providências. (DOM 30/07/2012:1)) [fonte: http://www.campinas.sp.gov.br/bibjuri/transitotransporte.htm#leis].

Essa nova lei com certeza está trazendo um pouco de sossego aos utilizadores de bom sendo do transporte público nas grandes cidades. Pois por algumas dezenas de vezes já me deparei em situações em que havia um indivíduo dentro do ônibus com seu aparelho celular tocando músicas em um volume muito alto. Trazendo desconforto aos demais passageiros, pois já é uma luta diária aos cidadãos enfrentar conduções completamente lotadas, sem lugar algum para se sentarem e além disso, aguentar o “barulho” desses aparelhos as 06,07 horas da manhã é difícil e não há paciência que aguente tanto.

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(Imagem do órgão responsável pelo transporte público em Petrópolis – RJ)

Não faço nem referência ao estilo musical que é ouvido nesses aparelhos, porque…

Enfim, é interessante ver que a irritação da ordem pública está sendo um senso comum na maioria dos centros urbanos. Lugares cujos quais a propagação de ruídos e barulhos aumenta a cada dia. As pessoas cada vez mais querem paz e sossego. Escuto muito amigos do meu pai que na maioria são homens de meia idade, e que estão um pouco longe da aposentaria dizendo: “Quando me aposentar, foi para o interior, viver tranquilo e sossegado”. Podemos perceber uma inversão no itinerário, que anos atrás era feito pelos sertanejos que iam tentar a vida na cidade grande.

É mais uma prova de que nem tudo são flores na nossa vida urbana, onde aqui tudo é pra ontem, onde as escolhas tem que ser rápidas, onde não há lugar para o erro, o respeito diminui, e com isso a irritação e o stress aumentam. O que faz com que a maioria das pessoas queiram distancia desses centros urbanos. Mas muitos não disponham da possibilidade de mudarem sua localidade. Eis que surgem medidas como estas, que visam a melhora nos ambientes, tentando trazer pelo menos um pouco de “silêncio”.

Frustração, Redes Sociais e Política.

 

Mais uma semana que se passou e mais um final de semana que vem chegando. Estou tentando controlar minha ansiedade, pois as vezes sinto uma necessidade enorme que chegue a sexta-feira ou o sábado achando que vou conseguir fazer coisas mirabolantes, realizar todos os projetos que penso e quando realmente chega o momento de botá-los em prática, não consigo realiza-los e quando chega a segunda-feira só me fica na mente: “O que eu fiz?” – Nada.

Essa é a resposta, nada. Simplesmente fiquei nas redes sociais, sai, conversei com meus amigos, encontrei meus familiares e minha namorada. Nada demais, tudo o que um cara normalmente faria. Mas não, eu tenho que bancar o “diferente”. E a vem a frustração, frustração por não ter feito nada daquilo que eu esperava, frustração por perceber que eu sou “levado” pelo impulso de ficar navegando na rede horas e horas sem propósito algum.

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Muitas pessoas acham isso normal, e até é mesmo, só que uma coisa que muitas dessas pessoas não percebem é que esse “estimulo” de ficar na internet acaba nos transformando em “zumbis” e “viciados” que dependem única e exclusivamente de saciar sua vontade: Ficar conectado.

Conheço pessoas que não ficam mais de 2 ou 3 horas sem acessar seu perfil no Facebook. Pessoas que estão no trabalho, mas não deixam de “dar uma olhadinha” na sua timeline pra ver o que está acontecendo de “novo”. Tudo bem, dar uma olhada é praticamente normal, mas a pessoas que ficam de 5 em 5 minutos olhando aquele celular com obsessão como se o fato de não olhar fosse fazer ela perder algo de super mega interessante ou importante.

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Segundo pesquisa (não me recordo qual) os brasileiros são os internautas que dedicam mais do seu tempo para ficar na internet. Em média são de 7 a 8 horas por dia dedicadas única e exclusivamente a internet. Se fossemos analisar isso. Partindo do princípio que a internet é uma ferramenta que nos traz um conhecimento vasto sobre diversos assuntos e temas, se esse tempo fosse aproveitado para algo que fosse beneficiar a outras pessoas, imaginem só quantas coisas, nós brasileiros não poderíamos desenvolver e criar?

Muitos vão dizer: “Existem pessoas especializadas para fazer tal coisa, (políticos) porque devo me preocupar?”. Eu digo que sim, você deve se preocupar porque não é responsabilidade de um determinado grupo, e sim de todos, todos os cidadãos. Se utilizássemos a internet com coerência, manifestações como as que ocorreram em Junho e Julho desse ano seria muito mais frequentes, esse seleto grupo de pessoas responsável por criação e desenvolvimento de “coisas uteis” para a população com certeza iam finalmente fazer aquilo que seu trabalho é destinado, melhorar e beneficiar a todos.

Quem sabe agora, depois desses acontecimentos, nós “internautas” considerados massa de manobra não possamos realmente utilizar a internet não só apenas para passar o fim de semana grudado em frente a uma tela de computador, mas sim ir pra rua, buscar melhores condições para todos e realmente mostrar o sentido de: “O gigante acordou!”

Não estou aqui querendo intitular anarquismo ou até mesmo dizer que viver em manifestações todos os dias é algo bom, e que com isso vai mudar tudo. Estou apenas mostrando que dessa maneira, poderíamos ser mais ouvidos e dar um sentindo a palavra democracia.

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Satisfação ou Obrigação?

 

Trabalho. Palavra simples, mas com várias definições. “Ora, porque várias definições? Trabalho é trabalho”. Eu afirmaria em concordância essa frase, porém, um pouco de experiência profissional e pessoal me revelaram outra realidade.

O trabalho não é só simplesmente aquele local onde te faz levantar as 06h00min da manhã, tomar um café rápido e se despedir brevemente de sua família, antes de encarar um trânsito de mais de 10 km de congestionamento na principal via de acesso da cidade. Algumas horas no trânsito te faz perceber isso. Tantas pessoas, tantas vidas ali paradas, esperando o que? Obviamente que é uma saída daquele caos que se instalou por toda a via, mas, o que elas esperam obter? Aonde estão indo? Seja no trabalho, na escola. O que as motiva?

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Dinheiro, experiência, solução, vários são os motivos, muitas tem como o trabalho a maior motivação para obter esses itens, só que, entretanto quando estão lá, se sentem infelizes, se sentem mal. Talvez pelo stress desenvolvido por toda a pressão que seu chefe e clientes te e oponham o drama desse mundo capitalista que nos obriga a fazer e querer sempre mais e mais e nunca estarem saciados.

Nesses momentos de desespero colocamos a culpa no nosso trabalho, que é chato, estressante, maçante, que nos deixa mais de 10 horas longe de nossa família. Algo que você faz somente pela necessidade de ter, e não pelo prazer de fazer simplesmente. Que bom seria se acordássemos toda manhã ecoando em pensamentos como: “Hoje vou trabalhar e me sinto ótimo por isso!”, é claro que muitas pessoas tem esse pensamento, mas uma grande parcela ainda pensa: “Hoje vou ter que ir para aquela merda de novo!”.

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O trabalho pode ser um mal necessário, mas que não necessariamente deve acabar com o nosso humor, com a nossa energia. Ele poderia pelo contrário, melhorar o nosso humor, nos tornar mais felizes, porque não?! É algo que deveríamos buscar, não só para melhorar nosso humor, mais para melhorar a nossa convivência com os colegas do trabalho, e não descontar nossas frustrações e stress na nossa família que nos espera em casa no final do dia. É uma tarefa árdua e difícil, mas na realidade cruel e mais verdadeira de todas…quem disse que ia ser fácil?