Profissão procrastinador

Porque procrastinar tanto?

Quem já acompanhou algumas das míseras postagens do meu blog já pode ver um texto aonde falei de como me acomodei em determinado tempo da minha vida. E percebo que estou fazendo isso novamente. E mais uma vez estou usando o blog pra mostrar essa minha procrastinação cada vez mais crescente e presente.

As vezes tento me convencer que ando muito ocupado, cansado, distraído, com um milhão de coisas pra fazer, que tenho mil livros pra ler, mil coisas pra estudar. Mas me lembro que a algum tempo atrás isso não era desculpa e conseguia fazer muito mais coisas que faço agora. A partir disso, tomo consciência de uma triste realidade: eu me tornei mais um. Me tornei mais um que acorda reclamando na segunda-feira, que fala mal de política, que chega em casa cansado e só pensa em dormir, joga conversa fora com os amigos no bar, tem um emprego mais ou menos, recebe um salário mais ou menos o que da pra ter uma vida mais ou menos.

Eu que sempre me imaginei sendo mais, buscando mais, me realizando mais. Hoje estou me conformando com metade disso, e perceber isso, me entristece, e me faz perguntar: “Porque deixei isso acontecer?. Porque as coisas não saíram como eu queria? Porque não fui esforçado o suficiente? Porque fui preguiçoso ou deixei as oportunidades passarem?” Pode ser todos os motivos juntos, ou nenhum deles. Talvez as coisas só não aconteceram da forma que eu queria. Todos sabemos que a vida citando Joseph Klimmer, “é uma caixinha de surpresas”.

Pode ser um pouco de drama, exagero, mas percebo que nesse momento da minha vida, deveria estar ocupado com livros, matérias, provas, trabalhos, e não apenas passando mais de 8 horas do dia reclamando do trabalho cansativo e da vida que é “ruim comigo”. Já fui muito de fazer promessas, como aquelas pessoas que prometem no domingo a noite que vão começar um regime na segunda e na quarta já estão almoçando feijoada. Não faço mais isso, não tento mais me iludir com certas coisas, algumas outras…bem, ninguém é perfeito.

Só estou tentando mudar e expulsar de fez essa inércia que sinto crescendo. Sim, foi um texto de lamentação, tá mais pra desabafo, mas quem nunca? Só espero que ao passar de 2, 3 meses não tenha que fazer texto semelhante ou refletir sobre o mesmo assunto. E o jeito mais viável não é nada mirabolante, puxar as mangas e mãos na massa.

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A Copa dos Ignorantes

Jogo-Brasil-x-Sérvia

Estou “ensaiando” pra fazer um texto sobre o mundial já tem um tempo, acho que hoje encontrei e vi um motivo mais que especial. Hoje vi, o quão frágil, sensível e principalmente ignorante é o povo brasileiro. Sim, afirmo isso pois em um jogo de 90 minutos pode-se perceber como somos facilmente moldados a culpar e a desacreditar de nossas convicções.

Esse mundial, antes mesmo de começar já foi taxado de o pior, de que o povo brasileiro daria vexame dentro e fora de campo. Isso porque? Porque a nossa mídia nacional, bombardeou o governo ao longo de todos esses anos que antecederam o mundial no Brasil. Assim como foi feito nas manifestações de 2013, enfatizou com maestria os lados negativos da competição. Não que devêssemos tampar os olhos para tudo o que estava acontecendo fora dos gramados. Mas pode-se perceber a maneira quase que apelativa que isso era e é exibido por certos canais televisivos. Mesmo assim, estamos lá nós, mas de 200 milhões de brasileiros, torcendo, empurrando, parando nossas vidas, trabalhos e afazeres e ficando grudados por mais de 90 minutos gritando, criticando, opinando, brigando e discutindo com a televisão.

O que foi divertido, futebol é um esporte mágico, que te envolve, faz com que você se sinta alegre, motivado, feliz. E por ser na “nossa casa” teve um ar totalmente especial. Todo diferente que deu a cara do Brasil, povo hospitaleiro, alegre, divertido. Que em meio a tantas adversidades está sempre estampando um sorriso no rosto. Quem leu até agora está se perguntando: “porque esse cara disse no começo que o Brasil é um povo frágil, sensível e ignorante e até agora está esbanjando comentários positivos?”

Faço isso pelo simples motivo de que no momento em que o time mais precisou da torcida, no momento em que o time mais precisou de motivação, o que fizemos? NADA.
Com Neymar machucado muitos já davam a desclassificação do Brasil como certa, como se Neymar Jr sozinho fosse resolver todas as dificuldades do time, como se o fato de a marcação e o meio-campo sem muita criatividade fossem culpa e responsabilidade apenas por um único jogador. E quando o time, aos 29 minutos do primeiro tempo perdia por 5×0 de uma Alemanha que veio como um rolo compressor pra cima de nós, o que os brasileiros fizeram? Foram embora do estádio. Simplesmente abandonaram o barco, dando um sinal claro de que nunca acreditaram realmente no time, que só estavam esperando um momento para simplesmente pularem fora de tudo aquilo. E para um time, já abalado por ter perdido seu melhor jogador, pela derrota que a cada minuto passado só aumentava, ver uma torcida que não apoia, que não se mobiliza em favor do time, pra qualquer jogador desse ser algo terrível.

“Então quer dizer que o culpa é do torcedor que preferiu ir pra casa ao ver esse vexame?” Sim, a culpa é do torcedor, a culpa é do jogador da Colômbia, a culpa é do Neymar que não viu ele, a culpa é do Fred que não participou dos jogos, a culpa é do Júlio César de novo que está velho de mais, a culpa é do Felipão que não sabe convocar, nem armar um esquema tático descente. A culpa é de todo mundo que torceu contra, que não acreditou, que não mostrou o que realmente é ser brasileiro. Ver comentaristas esportivos dizendo que o treinador deveria mexer assim ou assado, como se fosse doutores da lei do futebol. Muitos nem jogaram futebol de botão na vida, não sabem a responsabilidade e a pressão dessa profissão. Eu também não sei e nunca vou saber. Felipão fez as escolhas que achou certo, que julgou melhor pelo time. Falhou? Pode ser que sim, pode ser que não, o certo que achar culpado não vai levar a nada. E apenas sentar e se lamentar também não vai.

Ainda a um jogo a ser feito, ainda existe um time que deve buscar sua dignidade de volta, se não conseguiram jogar pelo povo, ou por Neymar, que joguem por eles mesmos, que joguem, pelas suas histórias de vidas e tudo o que fizeram para viver essa copa do mundo. Orgulho maior não deve ter do que honrar o seu país em uma competição internacional, por mais corrupto, sujo, desigual que seja, é o nosso país e apesar de todos os problemas devemos ser brasileiros sempre. Na derrota e na vitória. No choro e na alegria. Porque em meio a tantos problemas, a copa do mundo deve ser um momento em que todos os brasileiros devem vestir suas amarelinhas e dizer “eu sou brasileiro sim, com muito, orgulho e com muito amor”.Futebol não é só entretenimento, é uma forma de expressão de um povo. Povo esse que está cansado de sofrer, de chorar, de se lamentar, e que já está na hora de mostrar esse patriotismo não só dentro dos estádios, mas nas eleições, nas ruas, no trabalho, na escola e na vida. Só assim poderemos transmitir coragem, determinação a esses jogadores que nos representam, e que honram seu país.

No momento em que faço esse texto, mas de 5 horas após o jogo ainda estou vestindo minha camisa amarela. Ainda está custando tirá-la e acreditar nessa derrota, mas também foi a forma que encontrei de transmitir força aqueles 23 jogadores, por mais ilógico que isso seja. Mas é o que meu patriotismo pede que eu faça. E mais patriota ainda, seremos nós, se amanhã, mesmo após a ressaca dessa amarga derrota, vestimos nossos “mantos sagrados” e mostrarmos que perdemos sim, mas isso não nos torna menos desacreditados de um Brasil melhor, dentro e fora de campo.