Representante do sonho

tumblr_lzej7vTne81ql0kqiAcredito muito que tudo aquilo que sonhamos, que almejamos para a nossa vida, somos capazes de conseguir. Basta ter determinação e o principal, ter certeza do que realmente você quer. Pois se nem certeza dos nossos sonhos temos, não seremos capazes de torná-los verdade.

Eu, com essa mania de observar tudo e todos, acabei presenciando uma conversa que me chamou bastante a atenção e que me inspirou inclusive a fazer esse post. Ontem, estava voltando do trabalho, sendo embalado em um sono pelas músicas do John Mayer, mas ao sentir balançar “delicioso” que o ônibus faz acabei acordando e perdendo o sono. Dentro do ônibus acabamos escutando várias conversas, muitas vezes sem querer, porque muitas pessoas não sabem ser discretas e comentar certos assuntos em lugares mais reservados do que um ônibus. Outras vezes, o assunto acaba te interessando e você começa a prestar a atenção, como aconteceu comigo. Reparei em uma garota que estava sentada no banco a frente do meu. Ela deve ter mais ou menos 15 ou 16 anos, provavelmente voltando da escola pelo que pude reparar. Estava conversando com uma senhora, não sei se era algum parente, ou conhecido, algo assim. A garota comentava com a senhora sobre seu futuro, seus planos, que a escola estava bem puxada, mas que ela adorava estudar, já havia pesquisado vários livros e sites sobre design de interiores, que é a faculdade que ela deseja fazer. Até ai normal, ela estava comentando seus desejos, assim como fazemos a qualquer pessoa que conhecemos, o que me chamou mais atenção era a maneira com que ela dizia tudo isso. Bem animada, sorridente, toda vez que falava do curso, dizia que queria viajar muito, conhecer diferentes estilos de designers, aprender bastante e ser reconhecida pelo seu trabalho.

A senhora ouvia tudo pacientemente e assentia de forma positiva com um sorriso singelo, observando a jovem. Logo o assunto foi se dissipando e mudando. Eu fiquei com aquele momento guardado na cabeça, e lembrando de quando tinha aquela idade, lembrando dos meus sonhos, dos meus desejos naquela época. E refletindo depois: “Será que realizei algum dos meus sonhos?”, “Será que ainda tenho os mesmos sonhos?”.

O ser humano, é um ser fantástico, tem a habilidade de aprender e se adaptar ao ambiente em que vive, mudando constantemente. E por mudar constantemente o que ele deseja hoje, amanhã já não será algo relevante. E vejo que isso se torna mais verdade após refletir nessas perguntas, como mudei nesses anos, e como acredito eu, que vou mudar ainda mais daqui a 10 anos. Mas uma coisa com certeza não quero e acho que não vou mudar: nos meus sonhos. Na vontade de realizá-los, de vê-los realidade.

A única coisa que me critico e acredito que a maioria das pessoas também se critica, é que muitas vezes deixamos nossos sonhos de lado por acreditar que não sejam mais possíveis de acontecer. Porque nós achamos que com o passar do tempo “acordamos para a realidade” e que os sonhos são coisas de crianças e adolescentes e nunca se realizarão. Quem disse isso? Quem definiu isso? A vida, o destino? Citando Emicida: “O maior representante do seu sonho é você mesmo, se isso não te fazer lutar, eu não sei o que vai”. Eu defino se meu sonho vai acontecer ou não, se é possível ou não. Enquanto acharmos e colocarmos empecilhos, realmente elas não vão acontecer. Fácil não será, mas quem disse que seria? Se você quer seu sonho real, lute por ele, corra atrás do seu objetivo, porque com certeza a solução e a conquista do seu sonho não cairá do céu, ela virá do fruto da sua força de vontade e capacidade.

Me senti inspirado pela aquela garota, todo seu entusiasmo e animo me mostrou como estou perdendo isso e como não posso me deixar seu preenchido por esse pensamento. Acho que todos nós viemos a este mundo com um propósito e com a chance de realizar esse propósito, mas somente uma pessoa pode determinar se ele vai ou não ser realizado.

Eai, vai ficar esperando cair do céu?

Totalmente preparado?

Você está preparado?

Nessa vida urbana, observamos e vivenciamos muitas coisas no nosso dia a dia. A diferença é que certas coisas, ou a maioria delas, passa despercebida por nós. Sempre fui muito observador, e com o passar do tempo comecei a observar as pessoas, como se comportam, como se expressam em determinadas situações, as vezes até penso que isso é um defeito, ficou pretensioso as minhas análises e isso faz com que muitas vezes me privo de conhecer pessoas novas, por ter julgado alguém somente pelo que vi.

Essa semana, pude presenciar uma cena, em que não se assemelha com o conhecer alguém, mas como estamos despreparados para ajudar alguém. Como muitos brasileiros, faço uso do transporte publico da minha cidade. E como em várias cidades Brasil afora é péssimo. Os ônibus sempre atrasados, lotados, muitos velhos, pessoas más educadas, que só faltam passar por cima de você sem abrir a boca e pedir um simples “licença por favor”. Alguns desses ônibus, como devem saber, são equipados para transportar cadeirantes.

Pois bem, eu estava em um desses ônibus. Enquanto ouvia no fone Emicida, percebi uma mulher (cadeirante) na fila do ônibus. Quando o mesmo chegou, percebi uma certa discussão entre cobrador e motorista de como operar o aparelho que coloca a cadeira de rodas dentro do veículo. Até então não dei atenção, entrei no ônibus, fiquei me espremendo no fundo do ônibus e alguns minutos depois seguimos viagem. Depois de algum tempo a moça (já dentro do ônibus) solicitou a parada em um ponto, e a essa altura o ônibus lotado, todos observaram a cena que durou mais ou menos 10 minutos. A cobradora mexendo no aparelho, tentando fazer a plataforma descer até a altura do chão da rua, o aparelho não respondia aos comandos, o motorista já estava ficando bravo porque queria seguir viagem, alguns se amontoaram em volta pra olhar a cena. Não vi muito mais do que aconteceu depois, pois haviam muitas pessoas em volta. No fim, conseguiram descer a moça do ônibus e a viagem seguiu.

Percebi naquele momento como estamos totalmente despreparados e não sabemos nos portar em determinadas situações. Como ser diferente, é estranho, é esquisito, a maneira como as pessoas ficavam olhando a cena, sem reação, algumas não dando muita atenção, outras curiosas com o que ia acontecer, algumas poucas tentando ajudar da maneira que podiam. Profissionais visivelmente despreparados que não vaziam a mínima ideia de como operar um aparelho. Foram “n” situações, gestos, comportamentos que minha mente ferveu com tantas ideias para escrever.

Mas o que ficou nítido pra mim, foi como o nosso despreparo e ainda mais, a nossa falta de sensibilidade com o próximo é enorme. Com essa correria do dia a dia, utilizamos a velha desculpa que estamos sempre ocupados demais, deixamos de reparar nas pequenas coisas, de fazer pequenos gestos que fazem a diferença na vida de alguém. E como a minoria é sempre deixada de lado ou simplesmente ignorada. Pessoas cobram posturas dos governantes, que elas mesmas não fazem. É como dizer a uma criança que não fale palavrão e no minuto seguinte você está mandando alguém pra merda. Não faz sentindo nenhum.

Pois é, ser observador demais tem dessas coisas, perceber essas situações já se tornou algo normal, e ainda mais normal é não fazer nada diante disso. Se queremos a diferença na nossa politica, porque não começar nas atitudes da nossa sociedade? #ficaadica