Totalmente preparado?

Você está preparado?

Nessa vida urbana, observamos e vivenciamos muitas coisas no nosso dia a dia. A diferença é que certas coisas, ou a maioria delas, passa despercebida por nós. Sempre fui muito observador, e com o passar do tempo comecei a observar as pessoas, como se comportam, como se expressam em determinadas situações, as vezes até penso que isso é um defeito, ficou pretensioso as minhas análises e isso faz com que muitas vezes me privo de conhecer pessoas novas, por ter julgado alguém somente pelo que vi.

Essa semana, pude presenciar uma cena, em que não se assemelha com o conhecer alguém, mas como estamos despreparados para ajudar alguém. Como muitos brasileiros, faço uso do transporte publico da minha cidade. E como em várias cidades Brasil afora é péssimo. Os ônibus sempre atrasados, lotados, muitos velhos, pessoas más educadas, que só faltam passar por cima de você sem abrir a boca e pedir um simples “licença por favor”. Alguns desses ônibus, como devem saber, são equipados para transportar cadeirantes.

Pois bem, eu estava em um desses ônibus. Enquanto ouvia no fone Emicida, percebi uma mulher (cadeirante) na fila do ônibus. Quando o mesmo chegou, percebi uma certa discussão entre cobrador e motorista de como operar o aparelho que coloca a cadeira de rodas dentro do veículo. Até então não dei atenção, entrei no ônibus, fiquei me espremendo no fundo do ônibus e alguns minutos depois seguimos viagem. Depois de algum tempo a moça (já dentro do ônibus) solicitou a parada em um ponto, e a essa altura o ônibus lotado, todos observaram a cena que durou mais ou menos 10 minutos. A cobradora mexendo no aparelho, tentando fazer a plataforma descer até a altura do chão da rua, o aparelho não respondia aos comandos, o motorista já estava ficando bravo porque queria seguir viagem, alguns se amontoaram em volta pra olhar a cena. Não vi muito mais do que aconteceu depois, pois haviam muitas pessoas em volta. No fim, conseguiram descer a moça do ônibus e a viagem seguiu.

Percebi naquele momento como estamos totalmente despreparados e não sabemos nos portar em determinadas situações. Como ser diferente, é estranho, é esquisito, a maneira como as pessoas ficavam olhando a cena, sem reação, algumas não dando muita atenção, outras curiosas com o que ia acontecer, algumas poucas tentando ajudar da maneira que podiam. Profissionais visivelmente despreparados que não vaziam a mínima ideia de como operar um aparelho. Foram “n” situações, gestos, comportamentos que minha mente ferveu com tantas ideias para escrever.

Mas o que ficou nítido pra mim, foi como o nosso despreparo e ainda mais, a nossa falta de sensibilidade com o próximo é enorme. Com essa correria do dia a dia, utilizamos a velha desculpa que estamos sempre ocupados demais, deixamos de reparar nas pequenas coisas, de fazer pequenos gestos que fazem a diferença na vida de alguém. E como a minoria é sempre deixada de lado ou simplesmente ignorada. Pessoas cobram posturas dos governantes, que elas mesmas não fazem. É como dizer a uma criança que não fale palavrão e no minuto seguinte você está mandando alguém pra merda. Não faz sentindo nenhum.

Pois é, ser observador demais tem dessas coisas, perceber essas situações já se tornou algo normal, e ainda mais normal é não fazer nada diante disso. Se queremos a diferença na nossa politica, porque não começar nas atitudes da nossa sociedade? #ficaadica

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